Virou rotina. A garota termina o namoro, o cara não se conforma e ataca. Publica na rede fotos e vídeos íntimos da ex para se vingar. Assim foi com a adolescente piauiense Júlia Rebeca, 17, que não aguentou a pressão e se suicidou, na semana passada. Os casos se multiplicam com a mesma velocidade com que são compartilhados.
Agredida da mesma forma, a estudante de letras da Universidade de São Paulo (USP), Thamiris Natalie, 21, fez diferente. Abalada, ela também chegou a pensar em suicídio. Mas reagiu e decidiu usar a rede para se defender das agressões e ameaças de seu ex-namorado, o búlgaro Kristian Krastanov, 26. Ele espalhou perfis falsos da estudante com fotos dela nua, inclusive em sites de pornografia, e também a ameaçou de morte. Depois de procurar a polícia para registrar as ameaças, ela publicou no seu perfil no Facebook, na noite de domingo, um desabafo que, em menos de 24 horas, tinha 1.600 compartilhamentos.
“Era uma agonia que estava sendo muito difícil de suportar. Então eu fiz a carta, publiquei e não esperava repercussão nenhuma”, contou ontem a estudante a O TEMPO. “Eu só queria parar de receber mensagens de homens com comentários lascivos acerca do meu corpo. Eu sentia sempre um nojo muito grande, uma vontade de chorar, um sufoco”, desabafou Thamiris.
Na carta, ela relata o drama vivido num relacionamento desgastado. “Foi em julho que as ameaças começaram: ‘eu vou colocar suas fotos nua e vídeos na internet etc’. Tudo foi piorando e ficou mais do que claro de que conversa não adiantava. Quando ele me ameaçou de morte, eu resolvi agir e fui à delegacia de polícia da mulher fazer um boletim de ocorrência. Eu estava perdendo a minha cabeça”, escreve a universitária.
“É como eu disse no desabafo. Nós brigávamos muito, o relacionamento estava seriamente desgastado e eu não o amava mais. Ele diz que eu o traí, mas não é verdade.” Ela disse ao jornal que lamenta profundamente a morte de Júlia Rebeca.
Como se prevenir da exposição
Evite.
A maneira mais segura e eficiente de não ser exposta à divulgação indevida de materiais íntimos é não gravando esses materiais.
Identificação.
Caso opte fazer esses materiais, não deixe capturar o rosto, sinais como marcas de nascença ou tatuagens e preserve a voz.
Posse.
O material deve ficar sempre com a mulher.
Proteção.
Criptografe e coloque senha no material. Programas gratuitos que salvam nas extensões ZIP e RAR fazem essa função.
Armazenamento.
Guarde os vídeos e as fotos em dispositivos móveis como pendrives ou HDs externos. Computadores e tablets podem ser invadidos por técnicos que venham a ter que consertá-los.
Informações de Luís Felipe Silva Freire e Comissão de Informática e Crimes eletrônicos da OAB.
Fonte: O Tempo





Respostas de 2
Prezados membros da Silva Freire Advogados.
Parabéns pelo texto. Como sou estudante de Pedagogia e sou mulher, gostaria de fazer duas observações sobre o assunto.
Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que a educação se dá através da família, da escola e da sociedade. Sendo assim, as famílias devem orientar seus filhos sobre relacionamentos afetivos, utilização das redes sociais e respeito pelos outros. Esta educação deve ecoar na escola: professores com autoridade — apoiados pelos pais —educando jovens, falando abertamente sobre sexualidade, informando sobre o que é certo e o que é errado (sem ser preconceituoso como, por exemplo, homofóbico ou machista)e colocando limites. A sociedade, por sua vez, precisa dar o exemplo também. Neste caso, contribuir com medidas preventivas e, para os casos ocorridos, medidas punitivas.
Em segundo lugar, a orientação de posse dada por vocês ilustra o quanto nossa sociedade ainda responsabiliza a mulher pelo ocorrido. Ou seja, a mulher vai guardar o material porque senão o homem pode usar isso para chantageá-la. Na verdade, manter em sigilo este tipo de material deveria ser uma postura ética diante do outro, independentemente do sexo das pessoas. Homens e mulheres tem que ter respeito mútuo. É preciso mudar essa perspectiva da sociedade machista em que vivemos e parar de responsabilizar as mulheres pela violência que sofrem. A culpa, nos casos relatados, foi destes homens machistas, mal educados, sem uma base ética na sua formação (responsabilidade da família, da escola e da sociedade)e que se julgam donos destas mulheres. Um homem que não é machista, que sabe respeitar as mulheres, pode ter o material que for em mãos que vai mantê-lo em sigilo e destruí-lo no término do relacionamento.
Olá Alessandra. Agradecemos pela participação. Concordamos com todas suas observações. Em relação à segunda, cabe-nos apenas ressaltar que o texto é de autoria do JORNAL O TEMPO, tendo sido apenas republicado por aqui, conforme link que consta do Rodapé.